Título: Rita Lee, uma autobiografia
Autor: Rita Lee
Editora: Globo Livros
Páginas: 296
Ano: 2016
Valor: R$30,00 á R$40,00 (dependendo do site e frete)

Sinopse:
"Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias.
Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas - e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado."[


Eu já li algumas biografias, mas essa é a primeira autobiografia que eu li, e me apaixonei ainda mais por Rita Lee.
Durante o ensino médio, tive uma fase em que eu era obcecada pelas músicas dela, ouvia repetidamente, mas essa fase passou. Com a leitura desse livro, pude me relembrar o por que eu gostava tanto dela e é claro, aprender mais sobre sua vida.

Rita não tem medo de se expor, e faz isso de maneira nua e crua. Não poupa a si mesmo, confessa seus erros, mas não se arrepende de quase nada. Conta sua infância, fala sobre sua família, seus amores, suas perdas, sua música. 
Tudo começa no que Rita chama de Casarão, que fica na Vila Madalena, onde vivem 5 mulheres e 1 homem, o "harém" segundo ela. 
>> Charles, seu pai, dentista, conservador, dizia que "filha dele estuda ou trabalha, música é só um hobby"
>> Chesa, sua mãe.
>> Balu, sua fada madrinha
>> Carú, irmã adotiva italiana
>> Mary Lee e Virgínia Lee, suas irmãs de sangue

Ela conta desde como surgiu sua primeira banda no ginásio, até sua última entrevista.
O cenário musical é o base muitas histórias, conta como conheceu grandes nomes da MPB, e como montava o figurino de Mutantes, quando estava na banda, sobre sua prisão e seus vícios.
São memórias muito reais, que fazem com que você se sinta parte da história contada por ela.

Ela escancara seus vícios, conta sobre suas internações... E depois sobre como decidiu se manter sóbria após o nascimento da neta. Em um dos momentos em que estava fora de si, ela conta que foi ajudada por Hebe, com quem manteve uma amizade muito íntima, contando inclusive que várias vezes foi ao programa e assistia deitada no sofá.





Anos 1970
Estava eu babando na sarjeta em um dos momentos droguísticos "quem sou, onde estou", quando Hebe passa de carro por lá, me vê, desce, me leva pra sua casa, me dá banho, me põe na cama, me dá papinha na boca, e depois de todo aquela trabalhão, passa a descompostura mais deliciosa que já recebi na vida: "Ritinha, se você fizer isso de novo, te interno num hospício e não vou te visitar" #HebeMeSalvou2

Ela não entra em detalhes da ditadura militar, não toma partido político e resume-se:

Definindo-me
Bons tempos chatos os da ditadura militar. Bom para quem gostava de rock. Chato para quem morava no Brasil. Bom para tomar ácido e assistir ao cabeludo José Dirceu num palanque imaginando-se 
um astro do rock. Chato quando passava o efeito assim que os meganhas soltavam os cavalos e a gente caia na real vendo que Dirceu não era nenhum Jimi Hendrix. Sexo, Drogas & Rock´n´Roll não combinava com Tradição, Família & Propriedade, ou você era esquerdette ou direitette. Para acomodar quem me cobrava uma posição política, me assumi: "hiponga comunista com um pé no imperialismo"


Sobre Roberto de Carvalho existem muitas histórias e como as músicas que vieram depois dele, sempre eram inspiradas em momentos que os dois compartilhavam.. Entre muitos relatos o início que eu achei mais fofo:
Fever Night
(...) Tudo pronto para o bote: comidinha caseira maravilhosa feita pela Balú, incensos, baseadinhos enrolados, velas e uma roupinha sexy. Logo que entram em casa, Roberto/Zezé tira o sapato e suas meias vermelhas com filetes dourados pulam aos olhos: "Adorei suas meias, eu faria show com elas!" O gato imediatamente as descalça, dá um beijo nela se diz: " Não por isso, agora são suas, não tenho chulé". Eu, que não sou chegada no fetiche, achei os pés dele lindos. Humm. 








Já quase no final:

A lôka
Não faço a Madalena arrependida com discursinho anti drogas, não me culpo por ter entrado em muitas delas, eu me orgulho de ter saído de todas . Reconheço que minhas melhores músicas foram compostas em estado alterado, as piores também.
Lamento apenas a demora em perceber que o "remédio" já estava já muito fora da validade, coisas de capricorniana fixa. Minha geração sofreu a claustrofobia de uma ditadura brucutu, usar drogas então era uma maneira de respirar ares de liberdade, e se assim posso dizer, eram de melhor "qualidade" do que as malhadas de hoje, traficada por assassinos.

Há também um personagemzinho chamado Phantom, um fantasminha da memória de Rita, que colocar uns adendos em alguns capítulos:




O que eu mais gostei nessa autobiografia é a linguagem que Rita Lee usa. É extremamente simples, direta e objetiva. Gírias de antes, gírias de agora, mistura de línguas... É como se você estivesse sentado no sofá conversando com ela, dá para imaginar, sério. 
Espero que vocês gostem, quem quiser saber mais alguma coisa sobre o livro, comenta aqui :)




Título: Revoada
Autor: José Fernandes Guedes
Ano: 2017
Páginas:74
Valor: R$35,00

Contra-Capa:

Luzes de presença

As aves
Os vaga-lumes
E teus olhos
São luzes de presença
Me indicando o caminho
Nessa terra.




É um livro de poesias que me encantou desde a dedicatória:

"Este livro é para Beth e Thiago, meus particulares passarinhos de Encantamento. 
É também para Ruth e o Fernando, que voam num céu por aí."

Tem muitos temas: desde os mais comuns, como o amor, até sobre uma criança em um ambulatório.
É bem reflexivo em sua maioria, com muitas metáforas.
Aqui eu separei dois para comentar:

Sakura

As flores da cerejeira brotaram
ontem lindas

Hoje pela manhã, um vento de mau humor
as lançou no chão
Formaram um tapete (mesmo mortas eram lindas)
sobre o qual, atônito, eu caminho, indignado
No próximo inverno
essas flores não serão lembradas
nem por mim, nem pelo vento,
nem pelas novas que virão.
Lindas como sempre.

Momentos, pessoas... O que na sua vida será esquecido?
Eu fiquei bem pensativa com esse por que aqui na minha cidade tem muitos Ypês, e no caminho para o trabalho, sempre passo por um tapete de pétalas... É realmente lindo de ver, mas pra quê se ele vai ser esquecido? Vale a pena proporcionar um único momento de beleza? Talvez. A beleza da árvore termina com as flores no chão, para então renascer e repetir esse ciclo infinitamente... Talvez alguma pessoa tenha sorrido, e isso já vai fazer ter falido a pena.

Cãozinho solto

O cãozinho está solto na rodovia.
Tenta atravessar
mas é impossível
tem o olhar assustado
e seu focinho treme sem parar.
Ameaça correr. Para. Recua.
Muitos são os carros em velocidade
oportuno seria ter asas:
não teria que passar por tantos riscos.
planaria acima do tráfego como uma pipa
e pousaria do outro lado em segurança.
Mas não tem asas...
Embora jovem conhece o destino
de muitos irmão seus
que se descuidaram ao atravessar a rodovia.
Correram quando deveriam parar.
Pararam quando deveriam correr.
Foram pela esquerda
quando o prudente era ir pela direita.
Estavam lá
quando deveriam não estar.
Um átimo, um nada, um triz
e acabaram esmagados, ficando
como beijos vermelhos no asfalto.
Cãozinho: sou solidário com você. Também eu não sei se consigo
chegar a salvo
à outra margem.


Esse me lembrou muito esse vídeo: 

Como o homem é capaz de se assemelhar à um cãozinho, e ao mesmo tempo abandoná-lo a própria sorte?


A maioria dos poemas tem referências as aves (asas, poder voar, estar engaiolado) isso me fez pensar sobre muitas coisas, como nesse do cãozinho... Quantas vezes estamos em situações parecidas? Querendo voar para longe? Ou quantos de nós temos anjos da guarda, que não tem asas, mas que nos livra de tantos momentos ruins? Ou ainda: momentos em que sentimos que fomos presos, e não conseguimos alçar o voo?

Eu recebi esse livro do autor. Como eu achei muito reflexivo, não acho justo guardar para mim. Acho que a mensagem deve ser levada adiante. Então vou passar para quem tiver interesse e estiver disposto a ler e repassar. 
Vou fazer assim: Deixar uma folha anexada ao livro, você põe seu nome e sua cidade. Depois que ler deve repassar, e a pessoa também deve preencher. Vamos ver até onde chega?
Deixa aqui seu comentário se você quiser receber. Caso tenha mais de um interessado, vou esperar até dia 03/12 fazer um sorteio e postar o resultado aqui.




Título: Alucinadamente Feliz
Autor: Jenny Lawson
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2016
Valor: R$25,00 à R$35,00 (Depende do site e frete)

Sinopse:
Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.
Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.
É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.
O livro atrairá todo tipo de leitor por suas situações hilárias, mas tem um apelo especial para quem precisa conviver com transtornos mentais, quer como paciente, quer como parente ou amigo. 



O que eu achei...


Foi uma da poucas leituras surpreendentes do ano... 
Jenny inicia o livros nos alertando sobre o perigo de lê-lo, e se realmente queremos continuar a leitura, mas quem para depois disso não é?
Ao longo do livro ela conta sobre os inúmeros transtornos que "ganhou" ao longo da vida, e descobre (às vezes inventa) mais um pelo caminho... Ela quer ensinar como conviver com tudo isso, e já que ela é mesmo louca, decide então viver de maneira ALUCINADAMENTE FELIZ, como esse carinha da capa do livro.
Sobre as relações com pessoas ao longo do livro:
>> O pai dela é especialista em taxidermia, e ela conta histórias hilárias sobre isso. 
>> Ela não expõe a relação com a filha, mas dá ênfase em vários momentos "que a filha é normal"
>> Ela tem uma amiga fantástica, que acompanha suas loucuras.
>> Sua mãe sempre a encoraja a ver o lado bom das coisas, mas faz a linha bem sincerona;
>> A relação com o Victor, pareceu muito ambígua para mim... Em momentos ele realmente é incrível, relevando as loucuras da esposa, mas em outros me parece um pouco frio e distante. Os diálogos dos dois, são em suas maioria bem legais, Jenny sempre acabar "viajando na maionese", e as vezes eu tive que reler para lembrar qual era o assunto inicial da conversa rs' Victor é a parte séria do relacionamento, que mantem as coisas nos trilhos.
Um capítulo não tem continuidade em outro, mas ás vezes tem umas "lembranças" e tem umas citações do primeiro livro, que só quem leu entende... Por não ter uma sequencia, o livro se torna bem leve, os fatos são aleatórias e completamente imprevisíveis.
Eu realmente me surpreendi com o modo como a autora escreve sobre esses assuntos, que ainda são "tabu" para muita gente. Ela fala sobre a relação dela com o tratamento (remédios, terapia), e tudo o que gira em torno disso.
O livro é: Feliz, triste, melancólico, dramático, engraçado, e acima de tudo real. É impossível não se identificar com pelo menos uma histórias da Jenny.


E você, já leram? O que acharam? Será que só eu me surpreendi?



Título: Para todos os garotos que já amei
Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2015
Avaliação: 4/5

SINOPSE

Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.


Lara Jean é uma adolescente de 16 anos que sempre soube expressar o que sentia através das palavras. A cada decepção amorosa, escrevia uma carta relatando seus sentimentos e que serviria como uma espécie de conforto, um modo de tirar um pouco daquele peso que tanto a sobrecarregava, fazendo-a seguir em frente.

"[...] Minhas cartas são de quando não quero mais estar apaixonada. São cartas de despedida. Pois, depois que escrevo, aquele amor ardente para de me consumir. [...]. Se o amor é como uma posessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam". 

Lara era a irmã do meio: a mais velha era Margot, que estava se mudando para fazer faculdade na Escócia, e a mais nova era Kittie, que tinha nove anos. Margot sempre lhe servira de exemplo, sempre fora sua melhor amiga e principal confidente. Sempre soubera quando ela não estava bem, ou quando estava mentindo; a conhecia como ninguém. E, pelo fato de a mãe das meninas ter morrido repentinamente, precisou amadurecer muito cedo e tomar a responsabilidade de ajudar na criação das mais novas. Elas sempre se cuidaram e dividiam as tarefas domésticas; agora que Margot estava se mudando, entretanto, tudo parecia diferente. Lara sentia que precisava mudar - tanto por Kitty, como pelo pai que precisava de seu auxílio -, e tudo isso quando descobre que as cartas que escrevera para os cinco meninos que já amou foram misteriosamente enviadas a cada um. 

Quando li a sinopse de "Para todos os garotos que já amei", imaginei algo bastante diferente. Achei que a vida amorosa da protagonista realmente fosse ficar de pernas para o ar e que o foco do livro seria o romance. Mas na verdade não é bem assim: senti que o foco foi muito mais esse desenvolvimento da protagonista, como ela lida com a ausência da irmã e o compromisso com sua família. Algo que também é bastante abordado é sua amizade com Josh, seu vizinho e ex-namorado de sua irmã, e também a proximidade que estabelece com Peter, um de seus antigos amores.  

Eu gostei do livro, a narrativa é bem fluída, os capítulos são curtos e li em pouco tempo. Mas, ao mesmo tempo, me decepcionei um pouquinho por ter imaginado algo muito diferente... Os garotos que ela amou, com exceção de Peter, praticamente não aparecem no livro e não são muito explorados. E também me irritou um pouquinho esse complexo de inferioridade que a protagonista tem por achar que Margot era perfeita e melhor do que ela em tudo, como se não fosse capaz de fazer o que a irmã fazia. Eu entendo Lara ter se sentido perdida - afinal, Margot sempre tomara o controle de tudo e agora o endosso era dela -, mas achei em muitos momentos que ela se cobrou demais pra alcançar um padrão de perfeição em algo que ainda estava aprendendo, sabe? Afinal, se a irmã mais velha também não sabia bem como exercer bem aquele papel no início e pegou o jeito com o passar dos anos, por que isso seria diferente com a protagonista? 

De qualquer forma, esses detalhes que mencionei não anularam o fato de que foi uma leitura prazerosa pra mim. Um personagem que gostei bastante foi o Peter, principalmente porque a personagem principal possui uma visão meio negativa dele no início e que vai sendo refutada à medida que o conhece melhor. Além disso, gostei de como, ao final da leitura, podemos observar uma diferença brusca na forma em que Lara Jean lida com o amor. Ela sempre reprimiu tudo o que sentia por medo de simplesmente sentir, nunca revelando seus sentimentos, apenas os expressando em suas cartas. Mas, ao final, podemos notar que ela se "liberta" mais em relação a isso, se permitindo sentir e demonstrar sem receio do que acontecerá em seguida. 

"Acho que agora consigo ver a diferença entre amar alguém de longe e amar de perto. [...]. O amor é assustador; ele se transforma, ele murcha. Faz parte do risco. Não quero mais ter medo. Quero ser corajosa..."





Título: Grito
Autor: Godofredo de Oliveira Neto
Editora: Record
Páginas: 160
Ano: 2016
Avaliação: 4/5
*Exemplar cedido pelo autor para resenha. 

SINOPSE 

Construído de forma que a performance e a teatralidade ocupem um lugar central, Grito é o epílogo da octogenária Eugênia e sua relação com o jovem e ambicioso Fausto. Em 21 atos, a narrativa é marcada pelo embate entre as esferas do real e do imaginário. Godofredo de Oliveira Neto experimenta formatos e problematiza a linguagem, conduzindo a partir da perspectiva da ex-atriz de teatro uma trama que transita entre o mundo da criação e da encenação.




"Ele diz se tratar do grito que sua irmã gêmea não conseguiu dar no nascimento. Nasceu morta. Se chamaria Ifigênia de Sá Sintra. E isso liberta ele. Depois virou costume; e a cada situação profissional nova Fausto solta o grito engasgado na garganta da gêmea". 

"Grito" tem como protagonista e narradora da história Eugênia, uma ex-atriz viúva de 80 e poucos anos que tem o teatro como principal paixão de sua vida. Seu vizinho, Fausto, tem 19 anos, não consegue parar em um emprego e é tão apaixonado por teatro quanto ela; isso faz com que tenham uma conexão e, a partir desse amor que nutrem em comum, reúnem-se no apartamento de Fausto para produzir e encenar peças. Eugênia possui décadas de experiência e constantemente dá conselhos teatrais ao jovem, por quem é vista com muito carinho, perceptível na forma que a chama: "irmãzinha".

"Ele quer aprender e se preservar, acho isso muito importante. Quer vencer na arte. Para uma veterana do mundo teatral como eu, é extremamente gratificante ver um jovem buscando na arte um sentido para a vida. Queria que isso acontecesse com mais frequência no mundo de hoje". 

Eugênia, no entanto, o vê de outra forma: passa a sentir ciúmes excessivo e nutrir um sentimento de posse. Detesta as amigas que ele possui, entra com frequência em suas redes sociais e acha que é a única em sua vida. Sabe que ele possui um passado sombrio, mas sempre que o questiona, ele se recusa a revelar qualquer coisa. Algo indubitável, no entanto, é a determinação que possui em seguir seu sonho de ser ator, mesmo que a profissão não seja bem vista na sociedade.

O livro é dividido em 21 atos, que se alternam entre a narrativa da protagonista e alguns trechos do roteiro das peças teatrais que representa com Fausto ou de obras que encenou há alguns anos. E o interessante do livro é justamente isso: é uma leitura diferente, que nos permite transitar ora pelo universo de Eugênia e Fausto, ora por trechos de peças teatrais encenadas - tanto no passado, como no presente.

Se tratando do mundo dos personagens principais, o interessante é a linha tênue presente no livro entre o que é verossímil e o que não é. Não sabemos se os atos narrados partem de um delírio da personagem ou se realmente aconteceram. Além disso, há uma interação entre Eugênia e o leitor, já que faz perguntas no meio da narrativa como se expressando dúvidas que possivelmente teríamos a respeito dos acontecimentos narrados no livro.

"- De onde sai tanta análise?
De onde sai tanta análise sobre teatro? Da vida, minha filha, da vida. Décadas atuando, pensando e ouvindo gente boa em discussões sobre a arte dramática. Experiências de vida, minha filha, experiências de vida".

A leitura é cheia de referências, como a Goathe, Machado de Assis, Shakespeare e tantos outros, e se ambienta no Rio de Janeiro. Pra mim, foi uma experiência muito diferente - seja por ter como protagonista uma senhora de 80 anos, por ter uma diferença de idade tão grande entre os protagonistas, por ser estruturado como uma peça teatral ou pela história focar em apenas em dois personagens. Isso permite com que os conheçamos mais a fundo - mesmo que Fausto seja apresentado o tempo todo pela perspectiva de Eugênia e, portanto, abra margem à nossa própria interpretação.

Recomendo o livro não apenas a quem gosta de teatro, como também a quem procura uma leitura que flui de forma fácil e possui um final impactante e surpreendente.





Imagem relacionadaHey pessoas! Como vocês estão?
Pra quem já acompanha o blog, sabe que meu livro nacional preferido da vida é: Dom Casmurro.
Tenho duas edições e está na minha lista de desejados uma edição ilustrada.
A primeira vez que li, acho que devia ter uns 12 ou 13 anos, e não achei nada demais. Sabe aquelas leituras obrigatórias da escola? Foi isso.
Então quando tinha uns 16 anos, vi o filme: Memórias póstumas de Brás Cubas. Decidi ler o livro que deu origem ao filme (com a melhor dedicatória de todos os tempos) e decidi reler Dom Casmurro. Foi amor a segunda lida. Me apaixonei por Capitu (talvez mais do que Bentinho) e Machado de Assis passou a ocupar o topo da lista de compra de livros.
Antes que alguém pergunte: Não. Eu não vi a adaptação em forma de série que passou há alguns anos. Tenho vontade, mas não o suficiente haha
Eu sou bem suspeita para falar mas...
Vamos a resenha!



Informações técnicas:
Uma das minhas versões é essa AQUI. Sendo de brochura, com 400 páginas.
Existem dezenas de versões: clássicos, de bolso, brochura, ilustrado, em quadrinhos... Dá pra encontrar a partir de R$5,00 até R$60,00 dependendo da edição.
A fonte dessa versão é boa. Não é a melhor (na minha opinião, poderia ser um pouquinho maior) mas dá pra ler numa boa, sem problemas. Por ser 400 páginas, é um pouco difícil abrir o livro, se fosse um pouco maior, talvez não ficasse com aquelas marcas na lombada, sabem?

Resultado de imagem para dom casmurro cia das letras

Sinopse:
 "Poucos romances examinam com tanta sutileza as artimanhas do ciúme como Dom Casmurro. Publicado em 1899, o livro permanece ainda hoje como um dos mais fascinantes estudos da traição. Aliás, como o leitor mais atento perceberá, são supostamente duas: a de Capitu, exposta pelo marido Bentinho, e a própria narrativa sobre como Bentinho modifica os fatos para corroborar suas suspeitas matrimoniais. Tudo isso é narrado com graça e inteligência num romance que jamais parece esgotar suas possibilidades de leitura. Críticos como Roberto Schwarz e Susan Sontag consideram a obra de Machado como um dos momentos mais altos da prosa ocidental do final do século XIX."

A história toda é uma lembrança de Bentinho, acerca de sua vida.
Ele cresce em uma casa, cuja vizinha é Capitu. E a história se desenrola a partir dai.
Dona Glória, mãe de Bentinho, faz uma promessa sobre o menino ser padre, e passa a vida preocupada sobre como e quando vai cumprir tal promessa. Pois, a amizade de Bentinho e Capitu, deixava ela com medo. Sendo sempre apoiada por José Dias, o agregado da família (que muda de ideia, conforme suas necessidades).
Logo cedo, através da narração, Bentinho deixa claro que Capitu o provoca, deixando ele pentear suas tranças e dando-lhe um beijo, tentando se encontrar com ele escondida.
Conforme vai crescendo, além de se apaixonar por Capitu, Bentinho vê que não nasceu "para usar a batina" e criam-se planos para que ele não siga a vida religiosa.
José Dias vê nisso, uma oportunidade de viajar para a Europa, com a desculpa de acompanhar Bentinho nos estudos. Então eles planejam: Bentinho vai ao seminário, se torna amigo de Escobar e depois de um tempo, diz que não quer seguir a vida religiosa. Enquanto isso José Dias, vai tentando convencer Dona Glória, que seguir na área de Direito é tão nobre quando a religião.
Bentinho se forma e se casa com Capitu, e a melhor amiga dela, Sancha, se casa com Escobar (melhor amigo de Bentinho)
A história tem uma reviravolta quando Escobar morre afogado. Durante o enterro, Bentinho percebe, que Capitu demonstra uma tristeza muito grande por um amigo. E começa a desconfiar dela, encontrando até mesmo, semelhanças entre seu filho e seu falecido amigo.
Bentinho decide se separar, e envia a mulher e o filho para a Europa. E se torna um homem recluso e solitário.
Durante a narração, Bentinho nos fazer acreditar que Capitu o traiu, relembrando fatos antigos. Porém, Capitu nega, e o leitor fica na eterna dúvida: Houve ou não traição?



Resultado de imagem para dom casmurro olhos de cigana


E você, já leu? Pretende ler? Comenta aqui =)





Precisamos Falar Sobre o Kevin
Título: Precisamos falar sobre o Kevin
Autora: Lionel Schriver
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
Ano: 2007

SINOPSE
    Eva Katchadourian na verdade nunca quis ser mãe - muito menos a mãe de um garoto que matou sete de seus colegas de escola, uma professora queridíssima, e um servente de uma escola dos subúrbios classe A de Nova York. Para falar de Kevin, 16 anos, autor desta chacina, preso em uma casa de correção de menores, a escritora Lionel Shriver arquitetou um thriller psicanalítico onde não se indaga quem matou. A trama se desenvolve por meio de cartas nas quais a mãe do assassino escreve ao pai ausente. Nelas, procura analisar os motivos da tragédia que destruiu sua vida e a de sua família.
    Dois anos depois do crime, ela visita o filho regularmente. Aterrorizada por suas lembranças, Eva faz um balanço de sua trajetória onde analisa casamento, carreira, família, maternidade e o papel do pai. Assim, constrói uma meditação sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influencia e responsabilidade na criação de um pequeno monstro.
    Ao relembrar o passado, reexamina desde o seu medo de ter um filho ao parto do bebê indócil que assustava as baby-sitters. Mostra o garoto maquiavélico que dividia para conquistar. Exibe o adolescente que deixava provas de péssima índole. "Precisamos falar sobre o Kevin" cria polêmicas ao analisar as sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série ou pitboys. Estimula discussões sobre culpa e empatia, retribuição e perdão nas relações familiares, e nos leva a debater uma questão tenebrosa: poderíamos odiar nossos filhos?

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    O livro é um compilado de extensas cartas escritas por Eva, mãe de Kevin, à Franklin, pai de Kevin.
    Nessas cartas ela retoma toda sua vida, desde antes da maternidade (algo que ela não queria), até o "fatídico dia", como ela mesma diz. Constam nesses textos: memórias, afetos, desafetos, devaneios e pensamentos que ela constrói.
    Desde seu primeiro momento com Kevin, após o parto, ela deixa uma visão clara: o filho não gosta dela. E parte da história se desenrola a partir daí, onde Eva enxerga que há algo estranho com o filho, e Franklin descorda firmemente.
    Desde neném Kevin parece saber claramente o que fazer, ou pelo menos é isso que Eva quer que pensemos a partir das cartas.... Birras cronometradas, que duram até a chegada do pai, mal criações somente com a mãe, total desprezo por tudo o que Eva faz por ele, inclusive pela alimentação.
    Nessas cartas os diálogos são super detalhados, e há duas vertentes que podem ser tomadas durante a leitura:
1- Você acredita que Eva está certa, e Franklin não enxerga as oscilações do filho.
2- Eva está errada, e tenta justificar de todas as formas o por que não ama seu filho. (ou ama e não sabe?)
    Eva em muitas ocasiões trás a culpar para si. Afinal, ela foi acusada de "negligência materna" onde o tribunal julga que os erros do filho, são culpa dela.
    Em outras ocasiões ela fala que a culpa também é de Franklin que não previu e não acreditou que o filho fosse capaz de alguma maldade.
    A relação de Eva e Kevin é extremamente conflita e confusa, onde nem Eva sabe o por que de acobertar o filho em certas coisas ( talvez por não acreditar que ele fosse capaz daquilo) é uma troca de desafetos e segredos durante o livro todo.
    Ela era uma escritora. Viajava o mundo e fazia um compilado de turismo, sendo a pioneira nesse ramo. Largou tudo para "construir uma família" e se sente infeliz e culpada.
    Acha que seu casamento vai melhorar se ela tiver um filho, então chega Kevin. E futuramente, por realmente querer, engravida novamente e tem Célia ( a criança mais doce que você pode imaginar). O que ela não imaginava era que a segunda gravidez, fosse criar uma rachadura em seu casamento. Ela deixa bem claro sua preferência por Célia, e o apego da menina por ela é recíproco, então finalmente ela se sente mãe.
    As cartas envolvem ou não Kevin, mas todas seguem uma reflexão de como as coisas seriam sem ele.
    Eu li muitas resenhas sobre esse livro, e muitas pessoas se mostraram surpresas com o final... Eu achei um pouco previsível os fatos, mas a forma como acontecem é chocante.
    É, sem dúvida, uma das leituras mais difíceis que eu já fiz, tem um apelo emocional e psicológico imenso, um vocabulário extenso e chocante. A crueldade é tratada como algo comum e baixo para Kevin, ele é mais que cruel e gosta desse título.
    Se você está grávida, pensando em ter um filho, ou tem um filho pequeno: NÃO LEIA ESSE LIVRO. Ele dá margens a coisas perturbadoras de verdade.
    Se você não tem estômago para descrições de ódio: NÃO LEIA ESTE LIVRO.
    É um livro intrigante demais. Ao mesmo tempo em que eu queria ler logo para ver os acontecimentos, eu não sabia se queria continuar lendo, ás vezes achava que as páginas estavam multiplicando.
    Sabe ressada literária? Tive depois de "Precismos falar sobre Kevin", é difícil digerir a história. Mas não deixa de ser uma puta de uma história. A autora é incrível, a forma como o enredo segue é eletrizante e se você começar a ler, vai querer terminar.
    Não vi o filme para comparar.Queria ler o livro antes, mas ainda to me recuperando hahaha
    A capa é assustadora nas duas versões, o que é esse olhar do Ezra Miller? Traduz toda descrição de Eva.

Alguém já leu? O que achou? Comenta aqui, não me deixem sofrer sozinha com essa história :(









Título: A guerra que salvou a minha vida
Autora: Kimberly Bradley
Editora: DarkSide Books
Páginas: 240
Ano: 2017

SINOPSE
"Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular - coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um "pé torto" como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor"


Primeiro eu preciso confessar: Comprei o livro pela capa! Eu achei super delicado, o desenho simples e ao mesmo tempo com uma representação tão marcante da personagem principal.
Mas vamos a resenha!

O livro conta a história de Ada e Jamie e se passa durante a Segunda Guerra. A história é narrada do ponto de vista de Ada. Uma menina de 10 anos (ou ela acha isso) que nasceu com uma deficiência no pé e sofre maus tratos de sua mãe. Ada tem tarefas diárias a cumprir, como cuidar da casa e do irmão, e devido sua deficiência não pode sair de casa, para não envergonhar sua mãe. Eles são pobres, fazem uma refeição por dia, e infelizmente, vêem a guerra como uma oportunidade de melhorar de vida.
Um dia, Jamie chega em casa dizendo que as crianças da escola estão sendo levadas para ser adotadas para morar no interior, durante o período da guerra.
Ada, com toda sua inocência e astúcia vê ai uma oportunidade de se livrar dos abusos da mãe.
Começa então uma luta diária: esforçar-se para conseguir andar e fugir com o irmão.
Ela supera toda dor e machucados causado pelo esforço, e consegue chegar até a estação de trem, onde as crianças estão sendo levadas.
Chegando em seu destino, as crianças são "distribuídas" á famílias dispostas a adotá-las, pelo tempo que julgarem necessário e com uma ajuda de custo.
Ada e Jamie são amparados por Susan, uma mulher triste, que apesar de não ter filhos, cria um laço adorável com essas duas crianças.
Ada tem uma incrível e assustadora surpresa ao chegar na casa de Susan: Roupas limpas, três refeições e banho diários, além de uma cama com lençóis limpos. Tudo muito luxuoso para a pequena menina, que passava horas dentro de um armário de cozinha mofado e cheio de baratas.
Devido sua criação, Ada não acredita merecer tudo aquilo.
Susan, que vive da renda de cavalos de uma amiga que faleceu, tenta de todas formas se aproximar da menina. Porém Ada, só tem olhos para Mantega, um pônei "abandonado" de Susan.
Ela cria laços com Mantega, dialoga com ele, educa e aprende com a convivência.
Com o passar do tempo Susan se aproxima de Ada e é uma relação de amor e aceitação.
Ada não acredita que pode ser amada e Susan mostra que sim.
No final das contas, a guerra salva não só a vida de Ada, mas também de Susan.
É um livro emocionante.Eu acho que algumas questões poderiam ter sido melhor trabalhadas (como a perda de Susan), mas como é o ponto de vista de Ada, a história tem outro rumo.
A autora tem uma delicadeza para escrever, e a tradução é fiel... algumas vezes eu me sentia a Ada, dada a forma que os diálogos se seguiam.
Eu indico como leitura =)

Livro de brochura, capa dura. Eu achei a fonte extremamente confortável para ler. Hoje está em torno de R$30,00 à R$40,00. 
Eu comprei em uma promoção paguei R$24,90... Mas acho difícil encontrar por um preço menor, por que a capa dura agrega valor ao livro.


O que você acharam? Alguém já leu? O que achou? Comenta aqui, vamos conversar :)









Título: O que nós fizemos?
Autor: Ton R. Joseph
Número de páginas: 15
Gênero: Thriller
Avaliação: 4/5

Essa resenha contém spoilers. 

"O que nós fizemos?" é um conto que recebi de parceria com o autor Ton R. Joseph. É narrado em terceira pessoa, e tem como protagonistas três irmãos: Cristina e Rafael, que são homossexuais, e Miguel, que é transexual. A história se passa durante uma viagem realizada pelos três à casa de praia da família, e Miguel conta com a ajuda de seus irmãos ao organizar uma surpresa para o aniversário de casamento com seu marido. A viagem, entretanto, não sai como planejada: ao se deparar com duas garotas do lado de fora da casa em que estavam, Miguel estranha vê-las no meio da noite em uma área residencial e vai ao encontro delas para certificar-se de que não precisam de ajuda. Quando demora a retornar à casa, seus irmãos procuram por ele e são atacados por jovens mascarados. Tentam, então, entender quem eram e por que estavam sendo atacados.

Durante a leitura, conhecemos alguns detalhes da vida dos irmãos: a mãe deles morrera há cerca de um ano de câncer cerebral, e sabemos todos os impactos que isso desencadeou nos demais personagens - as tentativas de suicídio de seu marido, o consumo de drogas por parte de Miguel e também a aproximação dos três irmãos, que buscam uns nos outros o conforto que precisavam. Vemos também a relação conturbada que o pai, Sr. Gonzales, tinha com seus filhos devido ao preconceito em relação a suas respectivas identidades sexuais.

"A tragédia tinha afetado a todos. Era uma parte da vida deles que não existia mais e eles teriam que viver sem ela. Como a peça faltando de um quebra-cabeça".
Gostei muito do fato de o autor ter abordado diferentes orientações sexuais em seu conto e o preconceito em relação a elas. Fiquei o conto inteiro torcendo para que os irmãos sobrevivessem ao ataque dos jovens, mas, ao final da leitura, entendi qual foi a intenção do autor: demonstrar e criticar a realidade que os LGBTs vivem, com toda a discriminação e violência que sofrem.
"Miguel levanta os olhos pesarosamente para Cristina. É horrível ver aquele olhar sem esperança do seu irmão mais novo, ela mal pode encará-lo. O Miguel das piadas previsíveis e dos sorrisos tortos havia ido embora, ali estava uma versão que ela nunca gostaria de ver."
Outro aspecto positivo da leitura é como o autor aborda as personalidades dos protagonistas. Ele procura mostrar que são pessoas comuns, como eu e você; pessoas com planos, sonhos, e que não devem de maneira alguma ser discriminadas por suas orientações sexuais. Além de condenar o preconceito através do comportamento do pai em relação aos filhos e, também, do grupo que os ataca, ele busca conscientizar o leitor.
Para mim, o único ponto negativo foi alguns erros gramaticais que encontrei durante a leitura. Mesmo assim, nenhum deles comprometeu a minha compreensão do texto.

O conto está por apenas 1,99 na Amazon e disponível no Kindle Unlimited; vocês podem comprá-lo aqui. Gostaríamos de agradecer ao autor pela parceria e por disponibilizar sua obra para a leitura! Para finalizar a resenha, deixarei aqui um trecho da mensagem escrita por ele ao fim do conto:
"A história que você leu é baseada em meia dúzia de histórias reais que chegaram até a mim de alguma forma, pessoas que foram assassinadas de maneira brutal e que me ajudaram a compor a vida e a morte dos meus personagens. Gostaria de não precisar desse tipo de história para criar as minhas próprias, mas elas estão aí acontecendo e não podem ser esquecidas ou jogadas ao vento, essas pessoas têm que ser lembradas."


Título: Métrica
Série: Slammed #1
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Número de páginas: 304
Ano: 2013
Gênero: New Adult
Avaliação: 5/5

"Métrica" é o primeiro livro da trilogia "Slammed", e nele conhecemos Layken, uma jovem de 18 anos que perdeu o pai recentemente e muda de estado com sua mãe e seu irmão. Logo no início do livro é perceptível toda a dor e o sofrimento que a personagem principal tem enfrentado; todo o luto, a tristeza por ter deixado o lugar que sempre chamara de lar e toda a responsabilidade que colocava sobre si em relação a Kel, seu irmão mais novo. 
Entretanto, ao chegar em sua nova casa, Lake conhece Will, seu vizinho de 21 anos. Imediatamente sente-se atraída por ele, sem saber que haveriam outros empecilhos em seu caminho que dificultariam que um relacionamento se concretizasse. 

Colleen Hoover é uma autora incrível, e não deixou a desejar na escrita de "Métrica". Primeira coisa que sinto que preciso ressaltar nessa resenha é toda a carga poética que o livro possui. Will escreve poesias e, logo no início do livro, somos apresentados ao slam. Pra quem não sabe (como eu não sabia até começar a leitura), slam é um encontro de poesia falada, geralmente em forma de competição, onde cada júri dá uma nota ao poeta que se apresenta. Eu achei isso incrível e, ao longo da narrativa, várias poesias são apresentadas, todas conseguindo tocar o leitor de uma maneira singular.
"E daí que a dor sobre a qual você escreveu ano passado não é o que você está sentindo hoje? Pode ser exatamente o que a pessoa na primeira fila está sentindo. O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos - é por isso que se escreve poesia."
Além disso, algo que gostei muito no livro é como não é um romance superficial. Mesmo que os personagens sintam uma conexão logo ao se conhecerem, sua relação é desenvolvida levando em conta todos os aspectos da vida de cada um: toda sua bagagem emocional, todos os seus problemas e todos os seus medos; absolutamente tudo é levado em consideração pela autora.
"Neste momento, não sou capaz de compreender como deve ser ter o coração partido de verdade. Se eu sentir uma dor apenas um por cento mais forte do que a que já sinto agora, abdico do amor. Não vale a pena."
Os demais personagens que fazem parte da vida de Lake, como Eddie (sua melhor amiga), Kel (seu irmão mais novo) e Julia (sua mãe) também são muito desenvolvidos. A autora fez com que se criasse afeição por todos eles e conseguisse fazer com que o leitor sentisse cada uma de suas dores.
É uma narrativa muito fluída e que conseguiu me emocionar muito (até porque, se não conseguisse, não seria Colleen Hoover). Só tenho um pouco de medo em relação às sequências; acho que o livro teve o desfecho que merecia aqui, e sinto certo receio de as continuações acabarem não me agradando tanto como o primeiro livro. Mas como já disse anteriormente: CoHo é uma autora incrível, então confiarei na capacidade dela de produzir sequências tão incríveis e impactantes como "Métrica" foi.
"Às vezes, a vida fica no meio do caminho. Fica totalmente no meio do seu maldito caminho. Mas ela não fica totalmente no meio do seu maldito caminho por querer que você desista e deixe que assuma o controle. A vida não fica totalmente no meio do seu maldito caminho só porque quer que você deixe tudo nas mãos dela e seja levado por ela.A vida quer que você lute. Que aprenda a fazer uma vida sua."


















Título: Um Caso Perdido
Série: Hopeless 1
Autor (a): Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Ano: 2014


   Eu realmente não sei por onde começar essa resenha. Faz muito tempo que não resenho, mas confesso que tive uma vontade gigantesca de resenhar esse livro em especial. Quando me sinto marcada profundamente por um livro, desejo que outras pessoas o conheçam e se sintam envolvidas pela trama tanto quanto eu. Quero que elas sintam tudo o que eu senti e gostem tanto quanto eu. Por isso, eu recomendo de coração esse livro. Sério. 
   O livro conta a história de Sky, uma adolescente que foi adotada aos 4 anos de idade e que vive uma vida privada da escola (ela tem aulas particulares em casa), internet e outras tecnologias. Mesmo sem entender os motivos de Karen, sua mãe adotiva, Sky cresce aceitando tudo, até que um dia decide obter certa autonomia e consegue permissão para frequentar o último ano da escola. Porém nem tudo é o que parece e ter que "enfrentar" a nova vida, aprender a socializar e conhecer novas pessoas pode não ter sido uma boa ideia. 
   Sky conhece Holder. Holder conhece Sky. Ou reconhece Sky. Holder guarda segredos; muitos segredos. Sky tem um temperamento calmo, é introspectiva e não liga para o que os outros falam dela, mesmo sendo alvo de bullying pelas garotas da escola. Holder é misterioso, consegue deixar Sky confusa e, pela primeira vez, a garota não consegue reprimir seus sentimentos pelo sexo oposto; Sky se vê sentindo algo novo, algo que nunca havia sentido. 
   Eu li esse livro pela internet, e, sério, li muito rápido porque ele me prendeu totalmente. Eu queria conseguir expressar tudo o que ele me fez sentir, em cada capítulo, em cada revelação. 
   Colleen Hoover me fez ficar vidrada com uma narrativa em primeira pessoa, contada pela própria Sky. Os sentimentos e emoções da menina fazem qualquer leitor querer abraçar os personagens, chorar, rir e sofrer junto. 
   À medida que Sky conhece Holder, sua vida vai sendo revelada. Holder é um mistério; porém Sky é um mistério para si mesma também. "Às vezes, é preciso perder-se para se encontrar". Cada nova revelação mostra o quanto Sky é, foi e terá que ser forte. Todos os medos, todos os sentimentos guardados e aprisionados em gavetas dentro do coração da menina são abertos lentamente, e ela precisa lidar com tudo aquilo que não sabia que existia.  
   É fácil chorar com Hope, Sky, Less, Holder, Karen. É duro sofrer com a pequena Sky que tem medo de uma fechadura girando. De uma pequena Sky que aprendeu a contar estrelas como modo de sobrevivência. De uma pequena Sky que chora, que é triste. Mas também é surpreendente perceber o quão forte ela está se tornando, é gratificante perceber que Sky continua viva, forte e capaz de sobreviver a qualquer memória que apareça.
  Se eu pudesse te dar uma dica de leitura pra vida, seria esse livro. Eu juro. É uma lição de vida, é um ensinamento, porque "nem sempre as coisas são como parecem" e "cada ser é uma caixinha de surpresas".