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14 de novembro de 2015

Onde estamos sempre errando?

É difícil pensar em escrever algo divertido, interessante ou ao menos legal e leve quando a sua mente só decodifica neurotransmissores responsáveis por palavras pesadas, tristes e angustiantes.
É ainda mais difícil focar em alguma coisa que não seja o lugar onde minha mente está agora: do outro lado do oceano.
Eu contei aqui tudo sobre o meu intercâmbio. Tudo sobre o mês em que morei em Paris. Mostrei minha admiração e paixão pela cidade, pela cultura francesa, pelo idioma e por cada simples detalhe que deixam marcas na sua pele para sempre.
No começo do ano, um choque. 
Agora, outro.
Eu não consigo deixar de pensar que o 11th arrondissement foi a minha casa por um mês, que eu conheço cada rua e avenida daquele bairro e que hoje, ele foi virado ao avesso. 
Eu não consigo deixar de pensar nos meus amigos parisienses. Muitos deles já deixaram claro em redes sociais que estão bem, mas não foram todos. E aqueles cujo contato eu perdi? Um arrepio percorre o meu braço. E os funcionários da residência onde morei? Os cozinheiros, faxineiros, recepcionistas? 
Eu não sei.
Mal consigo pensar em palavras para continuar esse texto.
A verdade que mais ata nós em minha garganta é que essa não chega nem perto de ser a ponta do iceberg. Atentados acontecem todos os dias, em todos os lugares. Dizimam vidas, sonhos, culturas e lares. Lares, sim, porque uma cidade não é apenas a sua residência. Ela é o seu lar. Você cria laços com ela. A conhece. Ela te conhece também. E no fim, mesmo que em uma relação de amor e ódio, você se sente parte dela. Porque ela é sua. 
E então, quando eu vejo uma partezinha pequenininha do que foi o meu lar de pernas para o ar, com sirenes de emergência tocando, corpos cobertos sobre as calçadas e a incerteza do que vai resultar isso tudo, uma outra partezinha do meu coração despedaça. 
E é então que, finalmente, eu não quero imaginar a vida de tantos e tantos que, em meio a guerras civis, seja na África ou no Oriente Médio, assistem seus lares se reduzirem a destroços. Lembro da Síria, dos refugiados com quem cruzei outro dia, que foram forçados a arrancar raízes porque um prédio foi derrubado e levou consigo todas as árvores ao redor. 
Lembro das cidades nigerianas tomadas pelo Boko Haram. Do estado de alerta com o qual vivem os moradores de Israel e da Palestina. Dos somalianos que vivem em um país sem governo. Dos confrontos entre Rússia e Ucrânia. Dos curdos. 
Alguns lutando para conseguir seus lares, outros segurando as lágrimas enquanto o céu vira asfalto e as mãos estão atadas. 
É assustador. Os jornais são. As aulas de geopolítica também. Mas, mais assustador do que isso tudo, é assustador perceber que tudo sempre foi assim. Baseando-se em egoísmos, vaidades, metafísica, rumores e mentiras, o ser humano sempre conseguiu mudar o azul dos oceanos para o mais vibrante tom de vermelho. 
Onde sempre erramos? Onde estamos sempre errando? O quão difícil é enxergar o próximo como um ser humano assim como você?
Eu não sei.
E nem quero chegar a algum lugar com esse texto.
Foi mais um desabafo, um lugar para deixar minhas lágrimas e esse terrível sentimento de impotência. Algumas palavras para registrar o quão angustiante é ver um lugar do qual eu sempre lembrarei com o mais doce dos sabores da nostalgia vivendo algumas horas de caos. Que não vão desaparecer.
Elas nunca desaparecem.

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