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Viciadas em Livros

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4 de setembro de 2015

Ler em excesso?

"Não são livros. Nem histórias e muito menos mera decoração.
Ela encara o amontoado de vidas a sua frente e suspira. Qual seria a próxima a viver?
Procura por entre as lombadas algum entusiasmo ou, quem sabe, pessoas a despertar certa empatia por ela.
Procura alguém para tomar como seu, emoções capazes de ultrapassar as páginas amarelas e lágrimas a manchar a base que cobre o seu rosto.
Restam apenas alguns.
A última promoção em uma livraria foi há muito tempo e ela não pagaria valores cheios.
Mas o baixo número contabilizado por sua precária matemática faz ressurgir a onda de terror.
Ela precisa de mais."

Ei, você, não deixe de viver a sua vida para viver a os outros!
Não, não estou aqui para criticar a vida de ninguém e muito menos escrever sobre aquela chatice do maniqueísmo, antes de tudo.
Mas ultimamente eu ando percebendo algumas coisas que me incomodaram profundamente. Coisas como pessoas que usam do hábito da leitura como um escapismo intenso da sua vida real. Pessoas que mergulham nos enredos e personagens e se esquecem até da própria personalidade. Pessoas que buscam nos livros vidas mais legais e pessoas mais entusiasmadas do que no mundo real. Pessoas que fogem permanentemente de problemas com livros. Pessoas que usam de histórias fictícias para ter uma fagulha de vivacidade em suas vidas reais, criando novos mundos e sem coragem para sair da bolha.

Ei, gente, o mundo aqui fora é bem mais legal, e eu digo com a experiência de uma pessoa que já foi exatamente como eu descrevi inúmeras delas no parágrafo acima.
Sim, eu já fui a menina do textinho que escrevi.
Já fui a pessoa que teve sua adolescência marcada por um consultório de terapia e problemas bem grandes de aceitação com o que estava acontecendo comigo. Ter problemas de ordem psicológica não é fácil, e para suprir a minha necessidade de ter cores na vida, já que na realidade eu não conseguia mais ser uma pessoa normal, eu iniciei uma louca maratona de leituras que demorou para que eu conseguisse terminar. É aquele velho clichê de procurar em outros cantos o que a sua esquina não consegue ter mas, ao invés de aprender com as ruas desconhecidas da cidade e aplicar o conhecimento no seu lugar, você prefere continuar vagando por aí.
Superei tudo? Sim, ainda bem. Livros continuam a ser um problema para a minha conta bancária, mas nunca mais os enxerguei como uma substituição à vida que eu não tinha, porque agora eu tomei controle dela. 

Livros são incríveis e eu poderia ficar um ano aqui para descrever todos os seus benefícios e encantos? Sim, com toda a certeza do mundo, MAS, existe uma tênue linha que separa a leitura saudável de uma certa dependência que criamos para que o mundo continue colorido. Então, não sei todos os motivos que levam alguém a abdicar de viver a própria vida para se deliciar com vidas fictícias, mas posso citar os que eu conheço: problemas psicológicos - o meu caso, que transformam a sua vida em um furacão. Problemas sérios de saúde, com a própria pessoa ou com pessoas queridas. Problemas de socialização, que acabam por afastar a pessoa do convívio familiar e também a privam de ter amigos e criar laços. Problemas de autoaceitação. Grande insatisfação com a vida pessoal. 
Não há nada de errado em usar a leitura como um escapismo do mundo real - pesquisas comprovam. Fugir da realidade é uma coisa boa sim, só não deixem que isso tome conta de vocês, como um vício que nunca é completamente saciado, como uma dependência doentia que arranca todas as suas energias e te faz ter a sensação de que está tudo bem - e até melhor. 

Sou psicóloga? Não.
Posso ter falado alguma besteira? Sim.
Me arrependo? Não.
Por que? Porque espero que essa sacudida possa servir para ajudar alguém que, por algum motivo, está se privando de ver o mundo com os próprios olhos para enxergar pelas lentes de celulose. Porque eu espero que quem precisa de ajuda profissional tome coragem e a procure - eu sei que não é tão simples quanto parece, digo com conhecimento de causa. Porque eu espero que todo mundo que passa por isso hoje supere seja lá o que o impede de andar com os próprios pés. Porque eu espero, principalmente, que essas pessoas consigam escrever suas próprias histórias. Com as próprias mãos, pés, braços, olhos e sorrisos.

Eu sofri muito para aceitar que estava usando os livros para substituir emoções que eu não mais sentia, sorrisos que eu não mais esboçava e até mesmo lágrimas que eu não mais chorava. Eu sofri para entender que estava usando os livros para fingir que estava tudo bem, porque de uma forma ou de outra, eu incorporava aquelas histórias sempre que as percebia a frente dos meus olhos. Eu sofri para entender que eu estava usando os livros de uma forma nada saudável, porque o escapismo já não era mais ocasional - o que eu disse nos parágrafos acima, e não há nada demais com isso, mas ele era diário. Vinha com ares de necessidade. E eu, ingênua, achava que aquilo só acontecia comigo, mas fiquei sabendo de muitas outras histórias bem parecidas com a minha e resolvi falar um pouquinho disso aqui. Não há nada de psicologia ou psiquiatria ou qualquer outro ramo da medicina ou neurociência no que escrevi, há apenas uma pessoa que gostaria que as outras refletissem um pouquinho sobre os seus hábitos de leitura, que gostaria que as pessoas pensassem sobre com que olhos estão enxergando a sua estante e o motivo para isso, que gostaria que as pessoas questionassem se o que elas fazem é de fato saudável, ou apenas uma máscara que elas resolveram comprar.

Uma fonte bem interessante que eu usei para ter um pouco de conhecimento para escrever aqui: http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/coluna.php?seq_coluna=29
Essa fonte aqui aborda uma vertente bem distinta, mas achei legal compartilhar: http://www.espacoacademico.com.br/035/35pol.htm
Esse artigo do blog "Eu + Livros" também é legal: http://www.eumaislivros.com.br/2013/02/pausa-pro-cafe-ler-faz-mal.html


P.S: estou bem tensa de publicar isso e ser mal compreendida, então espero que todos entendam e, caso não, por favor venham me perguntar para que eu possa esclarecer tudo hahahaha.

2 comentários:

  1. Gostei do texto! Essa onda de leitores vorazes também me incomoda, é preocupante.Ler é maravilhoso, mas é um hobby, entretenimento, forma de estudar, conhecer, crescer etc. Não se pode fazer da leitura um "fim" ela é um "meio". E como vc disse com muita propriedade se ela for encarada fora do seu contexto ela pode ser prejudicial.

    Triste as pessoas chegarem nesse ponto. Que bom que vc percebeu. Bjim

    cafeebonslivros.blogspot.com.br

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  2. Super entendo o seu lado! Tudo que é bom, em excesso é ruim.
    Beijos.
    http://www.demaeprafilha.com.br/

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A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim. - Sandro Costa

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