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12 de junho de 2015

Livro versus Filme: Uma Garrafa no Mar de Gaza

Difícil mesmo, hoje em dia, é um livro de sucesso não ter sua história adaptada às telonas, não é? Mas com a febre de distopias, como Jogos Vorazes, Divergente, The Maze Runner, O Doador de Memórias, e muitos outros nomes que já estão com direitos comprados e roteiros sendo produzidos, a real dificuldade é encontrar adaptações que destoam do habitual - não que eu não goste dos clichês, sou adoradora assumida de distopias e romances adolescentes, e é neste contexto que eu encontrei e me encantei profundamente por Uma Garrafa no Mar de Gaza.

               

Alguns anos atrás, em meio a todos os inúmeros livros da sessão "Cortesia" do Skoob, encontrei o título e me interessei muito pela temática. Na época, os conflitos em Israel já eram extremamente conhecidos e causadores de muita polêmica mundo afora, mas nada que se compare ao que ocorreu durante alguns meses de 2014, e tudo que ainda imaginamos que vai acontecer. Enfim, gostei muito da proposta, mas com minha meta de gastar, no máximo, 20 reais em cada livro, não o comprei até a Bienal de São Paulo, ano passado.
Mas uma semana antes de comprá-lo, procurando filmes franceses para assistir, tive a felicidade de descobrir que havia uma adaptação para o livro! Não pensei duas vezes antes de apertar o play, e devo dizer, fiquei ainda mais ansiosa para ler o livro.

Sinopse livro x filme: 
Livro

"Um homem-bomba se explodiu dentro de um café em Jerusalém. Seis corpos foram encontrados. Uma garota, que se casaria naquele dia, morreu junto com o pai “algumas horas antes de vestir seu lindo vestido branco”. E Tal não consegue parar de pensar em tudo isso. Depois de ouvir o estrondo de dentro da própria casa, ela escuta as conversas ao redor, vê as imagens do desastre na TV - o noivo desconsolado, a mãe arrasada, a família em prantos - e se pergunta sobre todas as outras mortes e todas as outras famílias que sofreram com tantos atentados que parecem não ter fim.

Quem será a próxima vítima? E se fosse você? O que faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã? E se seu pai, sua mãe, seu namorado e sua melhor amiga morressem de uma hora para outra? Cheia de perguntas na cabeça, Tal começa a escrever - ela, que ainda não tinha decidido se seria cineasta ou pediatra, mas nunca tinha cogitado ser escritora... E então, numa aula de biologia qualquer, a menina percebe que aquilo que era só um desabafo na verdade deveria ser uma carta - com suas perguntas, seus anseios e sua história -, escrita especialmente para alguém da faixa de Gaza, de preferência do sexo feminino e que também tivesse dezessete anos. Assim, Tal coloca todos os seus pensamentos em uma garrafa e pede ao irmão, que prestava o serviço militar perto de Gaza, para lançá-la ao mar naquela região. E quem estava do lado de lá para recebê-la era não uma jovem de “longos cabelos escuros”, mas um certo Gazaman, um garoto que teimava em revelar a sua identidade porque, ao contrário dela, já não acreditava numa solução possível em terras em que “uma explosão significa necessariamente um atentado”.
Mas aos poucos aquilo que era raiva, amargura e descrença vai se transformando em amizade e alguma remota esperança de que, algum dia, mais cartas e e-mails sejam trocados e conversas francas como a deles possam trazer a paz para mais perto dos palestinos e israelenses."

Filme

"Tanto Tal (Agathe Bonitzer) quanto Naïm (Mahmud Shalaby) nasceram em um terreno de terra queimada, onde os pais costumam enterrar seus filhos. Entretanto, as vidas deles são bem diferentes. Tal tem 17 anos, é judia e mora em Jerusalém, enquanto que Naim tem 20 anos, é palestino e mora em Gaza. Apenas 60 milhas os separam em relação à distância, mas o histórico de guerra entre os povos é um grande complicador. Só que uma garrafa jogada ao mar pode mudar a situação entre eles, trazendo forças para que suportem esta dura realidade."

---

Algumas diferenças são bem grandes entre livro e filme, como Tal, que não é francesa no livro, SPOILER e Naim, que não vai para a França, e o final, que é completamente diferente, mas tirou-me o fôlego em ambos! O romance também tem um quê de diferenças, mas o que mais me agradou, foi que em poucas páginas e horas, um romance super bonitinho, racional e emocional ao mesmo tempo, foi construído sem todo aquele clima meloso ou forçado, é tudo extremamente real, ao meu ver.
Gostei muito dos dois, porque mesmo com as diferenças, a essência foi mantida na adaptação, e o livro mexeu comigo de uma forma maravilhosa e perturbadora ao mesmo tempo. Me fez refletir sobre minha vida, valores, opiniões e forma a qual encaro este mundo, tão grande e cheio de diferenças, e visto como uma unidade igualitária por tantos.
Em suma, trata-se de uma história sobre adolescentes de culturas diferentes, em meio ao conflito da Faixa de Gaza. Entre o ódio entre muitos e a ideia de igualdade de direitos - e Estado entre outros, Tal e Naim encontram em seus e-mails trocados uma esperança de que tudo pode ficar bem um dia, de que a metáfora que os dois representam possa servir de reflexão para quem lê ou assiste Uma Garrafa no Mar de Gaza, e de que, finalmente, muitos compreendam que nem sempre é preciso ter um certo e um errado nos conflitos mundiais, e que finalmente entendam que a verdade nunca é absoluta, e que a minha, com toda a certeza, não tem que ser a sua verdade. 
Uma história sobre respeito e compreensão, entendimento e empatia, diferenças e a beleza que estas emanam, uma história que te faz refletir sobre a vida, o que é importante para ti, o que a vida tem para oferecer e o que você está aproveitando dela.
Uma história para ser lida durante as duas horas que também tem o filme, com uma impecável escrita e um choque de realidade gigante. Duas horas extremamente proveitosas e, ao mesmo tempo, te promove uma asfixia de eu vivo em uma bolha e quero sair dela com toda a diversidade de informações que lhe é apresentada. Uma vontade de conhecer mais afundo as culturas, uma vontade de passar meses em Israel para descobrir cada vez mais, e acabar com a bolha que tanto me incomoda em não poder estourar. Às vezes, todas as possibilidades em nossas mãos não são o suficiente para nossa mente ávida, mas às vezes, nossa determinação precisa ser maior que os nãos ao nosso redor.

3 comentários:

  1. Interessante analisar livros e filmes... são experiências complementares.
    SUA ESTANTE

    ResponderExcluir
  2. Simplesmente AMEI! Queria assistir ao trailer D:

    http://www.escritordeconta.com/

    ResponderExcluir

A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim. - Sandro Costa

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