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29 de maio de 2015

Desacelera, vai.

Este ano já quebrou, em menos de seis meses, todos os recordes de níveis de cansaço possíveis na minha vida.
Minha vida mudou drasticamente. "Perco" cerca de três horas diárias entre ônibus e metrôs, durmo menos de seis horas por noite e todas as outras horas são religiosamente cronometradas.
Fins de semana? Às vezes tiro um Domingo sabático, mas nem sempre posso me dar esse luxo.
Tempo? Tenho exatos dez minutos para concluir esse texto porque amanhã, sábado, acordo antes da cinco e só o desacreditado destino pode presumir quando voltarei a sentir o travesseiro sob meus cabelos.
E o que isso tem a ver com qualquer coisa que possa se relacionar ao blog?
Simples.
Todos os livros que li esse ano li durante as férias de verão.
Comprei A Herdeira e nunca estive tão próxima de um paradoxo tão grande: ele está ali na minha estante, a poucos passos dos meus olhos e mãos ávidos, mas ao mesmo tempo, está tão longe quanto poderia estar, com todos os obstáculos possíveis a sua frente, com barreiras e mais barreiras que não sou capaz de quebrar, não agora.
Tá, mas e aí?
E aí que eu passei os últimos três anos imersa em Metas de Leitura do Skoob, promoções do Submarino, dinheiro guardado para a Bienal e, principalmente, em metas mentais de superar, a cada nova livro, meu próprio recorde de mínimo tempo de leitura
Hoje eu vejo que poderia ter aproveitado muito mais, aprendido muito mais, me deliciado muito mais, me encantado muito mais. Poderia ter vivido muito mais a história daquela garota que não poderia mas conheceu o amo. Ou a história daquele garoto que era disléxico. Poderia ter refletido mais sobre os poemas que em uma noite li. Ou sobre as entrelinhas que percebi, entendi mas não aprofundei. Poderia ter sido muito mais do que eu fui para o que tanto é importante para mim.
Se tudo já foi tão especial, hoje vejo o quão mais especial poderia ter sido.
Mas o poderia ter sido não muda o passado. Só o futuro.
O futuro livro que estou morrendo para ler.
O futuro tempo que eu demorarei, com muito prazer, para concluir uma leitura e, enfim, tirar dela tudo o que eu conseguir. Ao lado de uma xícara de chá com leite, por favor.

Não acompanho muitos blogs de literatura e também não tenho mais tanto contato com amigos ávidos por leitura, então, não posso fazer quaisquer análises ou críticas quanto aos hábitos de leitura de forma geral, mas tenho quase certeza de muitos por aí ainda fazem o mesmo que eu, seja por curto tempo, que nos obriga a ler o mais rápido possível para ler o máximo possível, seja por algum desafio particular, seja por gostar de ler em apenas um dia.
E então, tendo pelo menos uma pessoa por aí que se identificou com alguma parte do meu texto, te convido a fazer a mesma reflexão que eu fiz, através da janela suja do ônibus em uma tarde fria e cinzenta. Te convido a refletir sobre a forma com a qual lidamos com o tempo. Estamos lhe dando o valor necessário? Sabemos valorizar pequenos atos que, caso precisássemos de mais uma hora no ônibus por dia, não existiriam mais? Sabemos valorizar tudo o que um livro tem a nos oferecer quando comparamos o movimento de nossos olhos aos pés de um maratonista?
Eu nunca concordei totalmente com aquela frase que diz que nós só aprendemos a valorizar quando perdemos, mas hoje, concordo um pouquinho mais com ela.
Hoje valorizo cada segundo livre que encontro pela minha agenda e me sinto tão, tão realizada ao perceber que estou deitada na cama, com o computador no colo, Spotify agraciando meus ouvidos com John Mayer, dedos felizes a sentirem os calos inflamados ainda mais doloridos. Tão, tão feliz com uma situação que me era tão rotineira.
E sei que ficarei muito, muito feliz ao me deitar no sofá para ler A Herdeira, porque o que antes poderia acontecer em qualquer tarde do ano, hoje eu não tenho nem previsão para que aconteça. 
Vamos desacelerar, vai. Não só na questão da leitura, mas na vida em geral. Não deixemos Simmel e o infelizmente real efeito blasé tomarem conta de nossas rotinas. Não nos acostumemos e tratemos como trivial o que nos faz tão feliz. Recuperar a felicidade de pequenos atos que desgastamos com o cotidiano pode não ser fácil, mas eu tenho certeza de que vai aumentar o seu sorriso, seja em um centímetro de pele de suas bochechas, seja em alguns centímetros abaixo de suas sobrancelhas.
Eu queria ficar horas e horas escrevendo aqui, sobre o quanto precisamos rever a valorização que damos as coisas, seja exagerada ou rara, mas infelizmente, não tenho tempo.
Livros são vidas incríveis, histórias incríveis, pessoas incríveis. Livros são experiências de empatia, felicidade, angústia e dúvida. Livros são especiais demais para serem colocados na mesma conta do que a sociedade nos faz acreditar ser trivial. Livros têm um potencial muito grande para serem robotizados com a nossa irônica tecnologia de repetir rotinas desgastadas todos os dias. Livros podem ser a chave para que, um dia, passemos a compreender exatamente o que para nós é o mais importante a valorizar. 


Um comentário:

  1. Maravilhoso seu texto, Camille. Rolou aquela identificação básica, o que provavelmente não aconteceria há alguns meses atrás, antes de eu começar a faculdade. Às vezes, tenho a impressão que passo mais tempo no transporte público do que estudando na sala de aula em si, o que me deixa mega frustrada, porque: quanta coisa eu poderia estar fazendo nesse tempo! Mas temos que nos virar como podemos. Passei a ler menos também, o que não é exatamente ruim, só me deixa mais criteriosa em relação à qual livro vou me dedicar nos meus momentos livres. Não faço mais a besteira de comprar vários livros só por que estão baratos, rs. Isso de desafios literários, nunca gostei, porque sempre pensei na leitura como uma coisa espontânea. Enfim viu, muito importante mesmo a gente valorizar as coisas que nos fazem felizes, elas podem fazer falta quando menos esperamos! Beijo, Lis.
    umareescrita.com.br

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