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14 de novembro de 2014

Se a razão de minha felicidade hoje é o céu azul, amanhã será a chuva fraca

Bom diaaaaa, tudo bom com vocês?
O post de hoje é um texto antigo que eu gosto muito, mas eu deveria postar um vídeo hoje, não deveria?
Pois bem, eu deveria, mas tive que programar este post há mais de uma semana porque neste exato momento, estou sendo muito feliz na Bahia e as últimas semanas foram tão corridas, que não tive tempo para organizar algo melhor, mil desculpas!
Espero que gostem!

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Agora olho para a frente e meus olhos fixos no relógio, que marca 15:49, perdem-se em meio aos ponteiros pretos e vermelhos, confundem-se com a imagem estatizada e ganham asas para observar a calmaria com a melhor das perspectivas.
Vejo-me deitada no sofá, e meu campo de visão deveria apenas permitir-me ver a ponta de meus pés sobre a tela do computador em meu colo. A cortina bege ao meu lado ainda deixa um pouco de luminosidade restante adentrar o cômodo, mas logo o dia ficará nublado e terei que me levantar para acender as luzes do cômodo,tendo em vista que as imagens retratadas na televisão já não são úteis a minha atenção, a luz proveniente da tela com certeza atrapalharia minha leitura - que começara alguns minutos atrás. Minha respiração é calma, meus olhos acompanham as linhas daquelas folhas amareladas ao mesmo tempo que pequenas gotas de chuva começam a cair lá fora e, por uma pequena fresta na cortina pesada, consigo ver a atmosfera agora completa. Há sapatos espalhados pelo chão de madeira e um miado fraco em algum lugar um pouco distante, acumulo pequenos objetos ao meu lado no sofá e carros fazem barulho nas ruas, mas não acho que estou no mesmo ambiente que esse para me incomodar com pequenos detalhes, minha única distração por alguns segundos é reparar em minhas unhas pintadas em azul celeste, segurando a página que acabei de virar, e lembrar-me da manicure que marquei para daqui dois dias.
Meus olhos voltam há alguns meses ou anos atrás, a rotina não me permite diferenciar observações mínimas como anos exatos, mas sei que livros e computadores, cortinas e garoas fazem-me sentir como parte da mobília. E alguma coisa nisso me agrada.
Então resolvo forçar um pouco mais minha memória e suspirar a vontade de ter cinco anos de novo, vejo meu quarto cheio de brinquedos diversos e coloridos, e confesso que a confusão de cores tão vivas me espantou por algum tempo, mas logo me acostumei. A infância tem aroma de morango e gosto de chocolate, arte abstrata e efêmera, um simples sorriso sem alguns dentes de leite, a convicção em olhar de canto de olho ao perceber asas brancas e compridas, um mundo de ideias tão comprimidas...
A nostalgia começa a me angustiar ao mesmo tempo que me abriria um sorriso, mas a primeira alternativa começa a crescer e então, questiono-me sobre o amanhã.
Em meus devaneios nunca cheguei a um acordo sobre o motivo de brilho no meu olhar amanhã, não sei e, mesmo tendo vários que hoje fariam crescer uma vontade imensa de crescer, seria sobre quem está agora deixando uma lágrima escorrer por sua bochecha enquanto lê o último parágrafo do romance clichê em suas pequenas mãos. Protejo, imagino, sonho, mas nunca afirmei, nunca tive coragem. Porque se a razão da minha felicidade hoje é o céu azul, amanhã será a chuva fraca, e se hoje ela se manifesta ao encontrar certos pares de olhos, amanhã será pela ausência deles. Se hoje me contento com a imobilidade, daqui há algumas horas nada se manterá parado na minha presença. Sempre foi assim, isso eu afirmo que não vai mudar.
Porque é uma emoção tão pessoal, íntima e inquietante, que sabe acompanhar meus passos a cada dia, porque não vai ser estática por todos os anos de minha vida.
A felicidade não é um sentimento instantâneo, é um estado de espírito. Não há quem viva feliz todos os dias, mas há quem percebe que, quando menos esperamos, estamos felizes. Por uma rotina, uma mudança, uma estabilidade ou uma montanha russa, por um vestido novo, ou aquele moletom velho, por uma livraria ou aqueles livros antigos que cheiram à baunilha.
As asas em meus olhos me fizeram perceber que não é uma instantaneidade ou um longo caminho cheio de pedras e aroma de folhas secas, mas é apenas, simplesmente, sem mais complicações ou equações matemáticas, sobre quem você procura ser.

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