Tá perdido?

Carregando...

Sobre nós

Curta!

Seguidores

Twitter

Siga por e-mail

Siga!

Eu leio Brasil

Pai bárbaro

Loja do leitor

Meise está lendo

Isadora está lendo

Blog Archive

Favoritos de Meise

Favoritos de Isadora

Tecnologia do Blogger.

Link us

Viciadas em Livros

Arquivo do blog

31 de agosto de 2013

(Winter) Rain

Oi gente! Como estão?
Para essa semana separei um texto para postar! Espero que gostem...

Ahh, e muito obrigada por todas as sugestões e elogios no ask!

(Winter) Rain




"Não era um dia qualquer. Até mesmo ela, que observava o brilho do sol pela janela de seu apartamento, sabia que aquele não era mais um dia qualquer. O céu livre de nuvens denunciava a distintividade daquele 20 de Julho assim como as temperaturas elevadas, que trocaram os casacos por vestidos e cinemas por parques em pouco mais de 24 horas. Menos para ela, que insistia na iluminação fraca do espaço de 30m² que definia seu apartamento.
Fez questão de fechar todas as cortinas e voltar a fazer parte da mobília, não se importava mais com o acúmulo de objetos na mesinha de centro, muito menos com os casacos jogados sobre suas intermináveis pilhas de livros e as botas espalhadas pelo chão de madeira, somente seu celular merecia atenção naquela manhã ensolarada. Ela queria passar mais algumas horas relendo mensagens antigas, ou até mesmo as da semana passada, mas isso já ultrapassaria os limites de seu masoquismo. Ela queria entender a alegria das crianças, que brincavam na praça logo abaixo da janela da sala, e tentar descobrir qual peça estava errada no quebra-cabeça de mil peças. Ela queria controlar seus pensamentos e decidir por qual caminho realmente desejava seguir. Ela queria os mesmos olhos que a deixaram sozinha, naquele aeroporto mergulhado na avidez das viagens de verão, sem saber como o caminho de volta à rotina seria.
As palavras ecoavam em seus ouvidos com a voz já tão conhecida e não pronunciada. Se estou fazendo alguma coisa errada, me fale, só não tente fazer com que eu me sinta mal, já conheço seus jogos. Seus olhos castanhos enxergavam cada simples letra rabiscada por todos os cantos. Até mesmo os pequenos espaços entre prateleiras, molduras compradas em lojas esquecidas e janelas e portas eram preenchidos por vírgulas, a escuridão encontrada por suas pálpebras agora lembrava a visão de um disléxico, e tinha a impressão de que também encontraria a frase em seus sonhos mais tarde.
O tempo passou. Passou como as horas agonizantes daquele dia e criou interrogações a cada incerteza que surgia, a faculdade e os cursos de idiomas não eram suficientes para afastar a neurose de uma mente indecisa, não havia descanso enquanto não havia resposta, mas como nunca houve resposta, talvez ela tenha desistido de tentar continuar. Talvez o vazio tenha tornado proporções inestimáveis e os exageros tenham invadido mais que a corrente sanguínea, mas sua falta de controle nem mesmo cogitou ruas alternativas, aquelas caracterizadas por buracos nos asfalto e calçadas estreitas, porque não sabia mais distinguir as clichês imaginações que rondavam o travesseiro da metrópole que a esperava nove andares abaixo. 
As fotos não saíam dos porta-retratos e ela ainda podia sentir o aroma amadeirado de seu perfume a cada esquina que costumavam passar, as noites viradas naquele mesmo sofá, com o cheiro de café impregnado no pequeno ambiente, não sairiam de sua memória assim como suas gargalhadas ainda pareciam acalmar as preocupações, sempre apenas do conhecimento dela.  Há seis meses os olhos que ela adorava ver cruzaram o oceano e, deveriam estar tão ansiosos quanto os dela para a hipnose do reencontro. Mas não estão. As palavras enxergadas nas paredes deixavam cada vez mais clara a mensagem que estava entrelinhas, fácil de compreender, apenas difícil de aceitar. Ela devia estar encarando o sorriso perfeito agora. Ela devia estar novamente naquele aeroporto lotado. Ela devia ter de volta o que a deixara por outro continente.
A saudade intensificava a dor da dúvida e a vontade de ter aqueles lábios junto aos seus mais uma vez, apenas para ter a certeza de que a angústia fora apenas mais um de seus devaneios. O pequeno espaço da janela, não coberto pela cortina, mostrava pequenas gotas d'água embaçarem a visão dos outros prédios e revelava a chuva. Chuva de inverno. Incomum para um 20 de Julho, assim como o sol que mudou a manhã de todos naquela cidade. Inclusive a dela, só que seu pessimismo ainda não percebera que era a terceira vez que sua campainha estava tocando.
-Você me fez andar três quilômetros nessa chuva, para nem mesmo esboçar um sorriso?
Então todas as suas angústias, pessimismo, devaneios e saudade evaporaram na atmosfera leve onde agora ela estava imersa. Não conseguia acreditar que os olhos guardados na memória agora se materializavam a sua frente, a roupa encharcada confirmava a chuva quase torrencial e seu sorriso torto fez seu coração suspirar. Só conseguia entender que agora as letras rabiscadas na parede estavam sendo apagadas, apagadas por borrachas cor de rosa e a felicidade que tomava conta de seus pensamentos. Suas brigas foram apenas empecilhos imateriais, a distância só os fizeram ilusórios a ponto de parecerem pedras. Porque o amor era o mesmo. Os corações acelerados eram os mesmos. E as vidas entrelaçadas, ah, essas nunca mais seriam as mesmas."

3 comentários:

  1. Que lindo!
    Fiquei tão aflita durante a leitura que achei que acabaria não tendo um final feliz.
    Amei!

    ResponderExcluir
  2. Ai que lindo <3 Não estava esperando um final feliz, amei!
    "Não havia descanso enquanto não havia resposta, mas como nunca houve resposta, talvez ela tenha desistido de tentar continuar" adorei essa frase.
    Beijos :)

    ResponderExcluir
  3. Muito bom!Podem ir dá uma olhadinha no meu blog e comentar meu post? ;) http://www.trezeestacoes.blogspot.com.br/2013/08/wishlist-livros-desejados_28.html?m=1

    ResponderExcluir

A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim. - Sandro Costa

Obrigada pela visita. Sinta-se a vontade para dar sugestões, fazer críticas ou elogios!